Participação em juventudes partidárias


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Artigo de opinião publicado na edição n.º 761 do jornal “O Portomosense” (Março, 2014)

Enquanto umas se dedicam à agitação de bandeiras durante os períodos eleitorais, outras optam por exigir referendos sobre direitos humanos. Nada de pessoal contra quem tem estas ideias “geniais”, mas não seria mais pertinente referendar por exemplo a continuidade do mandato actual do Presidente da República? Talvez fosse possível encontrar a resposta à pergunta que intriga muitos portugueses: “Para que nos serve um Presidente da República que só lá está para passear, ler telepontos e promulgar o que é inconstitucional?”.

Não obstante, algumas organizações políticas de juventude optaram por seguir um outro caminho, liderando alguns dos debates mais intensos e fracturantes da sociedade portuguesa, tais como o fim do serviço militar obrigatório, o estatuto do trabalhador estudante ou até o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A realidade é que a maioria dos jovens têm opiniões, têm ideias e soluções para problemas concretos. O problema é que muitas vezes não encontram o local ideal para iniciar um debate que produza resultados palpáveis, ou então não se identificam com o caminho percorrido pelas diversas organizações políticas.

Fala-se frequentemente no descrédito e desinteresse juvenil perante juventudes partidárias e partidos políticos, sem se pensar efectivamente em soluções que visem a mudança deste paradigma. Talvez porque a participação maciça dos cidadãos na vida pública e, em especial no meio político, pode revelar-se um incómodo para diversos agentes políticos. Mas um dos grandes desafios da geração mais jovem passa também por tentar inverter um pouco o rumo das coisas e daí a importância que decorre da sua participação neste tipo de estruturas.

No passado dia 1 de março, uma juventude partidária optou, e bem, por inovar e trazer a Porto de Mós o primeiro espectáculo de Stand Up Comedy que contou com a actuação de cinco comediantes: Diogo Abreu, Pedro Sousa, João Pereira, Diogo Faro e o jovem portomosense, Pedro Durão. De estranhar apenas a ausência de algumas figuras ligadas à cultura, não fosse também este um espectáculo cultural e que por sinal, o primeiro do género a ter lugar no nosso concelho.