Educação cada vez mais cara


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Artigo de opinião publicado na edição n.º 697 do jornal “O Portomosense” (Setembro, 2011)

O que podem fazer as famílias para suportar os elevados gastos inerentes à educação? Numa altura em que é noticiado um novo aumento (1,13%) do preço dos manuais escolares, se considerarmos os aumentos da electricidade, gás, transportes públicos e outros, chegaremos com certeza à conclusão de que o poder de compra dos portugueses está a ser, drasticamente, reduzido.

A título de exemplo: Será sensato obrigar uma família da classe média-baixa a desembolsar até 268 euros só em livros escolares, excluindo as despesas de alimentação, transporte, material escolar e outras relativas à vida escolar?

Sendo assim, torna-se fundamental a adopção de medidas quer por parte das escolas, quer por parte das famílias, que ajudem a fazer face aos elevados custos dos manuais escolares. As escolas poderiam criar bancos de livros usados para permitir a sua reutilização no ano seguinte. A partilha deveria ser amplamente incentivada na nossa sociedade, podendo esta ser aplicada aos livros no âmbito da poupança de recursos e, ao mesmo tempo, ajudar milhares de famílias com as despesas que têm anualmente com a educação. Por outro lado, as famílias podem e devem optar por comparar preços e recorrerem à Internet, onde é possível adquirir manuais escolares com descontos até 10%; 20% no caso de livros auxiliares.

Numa outra perspectiva, os livros escolares poderiam passar a ser amplamente disponibilizados em formato digital, facilitando assim a sua consulta e acesso, reduzindo os custos inerentes à impressão e, como é lógico, diminuindo o preço final. Esta medida não colocaria em causa o ensino, até porque as aulas poderiam continuar a ser leccionadas com recurso a manuais em formato físico. A diferença reside no facto de permitir a um aluno o acesso a vários manuais e livros auxiliares de múltiplas editoras, por um preço mais em conta, traduzindo-se numa mais-valia para a sua aprendizagem e progresso educativo.

Mas será que algumas pessoas estarão dispostas a contrariar os interesses instalados, em prol de uma sociedade mais justa e solidária?